segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Al-Bashir se reelege presidente e Sudão avança para divisão


O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, no poder desde 1989, renovou neste ano seu mandato presidencial em uma eleição marcada por importantes ausências da oposição, tendo em vista o plebiscito de independência da região sul, previsto para o dia 9 de janeiro.
Entre os dias 11 e 15 de abril, ocorreram as que foram consideradas primeiras eleições presidenciais e parlamentares multipartidárias dos últimos 24 anos no país.
Além disso, os habitantes do sul do Sudão foram convocados nas mesmas datas para escolher um presidente para a região autônoma e uma nova Câmara Legislativa. No entanto, as expectativas criadas por esta votação foram logo ofuscadas pelas denúncias de fraude feitas por várias organizações internacionais e grande parte da oposição, que acabou se retirando do processo, como o partido Al Umma e o Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS), principal partido do sul, que não disputou cargos nas províncias do norte.
Graças a estas eleições, al-Bashir, sobre o qual há uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), teve sua legitimidade reforçada nas urnas. Uma vez terminado o processo eleitoral, no qual o presidente do sul, Salva Kiir, também foi confirmado no posto, o plebiscito de autodeterminação foi ganhando força, apesar das ameaças de adiamento e do temor de uma nova guerra.
No próximo dia 9 de janeiro, os cidadãos do sul, de maioria animista e cristã, terão que decidir se continuam unidos a seus vizinhos muçulmanos do norte, ou se preferem seguir seu próprio destino como um Estado independente, o primeiro que se criaria na África desde a independência da Eritreia em 1993.
Por meio das urnas, deveria ter sido decretado o fim do conflito que explodiu em 1983, quando o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS), do sul, pegou em armas em resposta à decisão do regime de Cartum de impor a "sharia", a lei islâmica, em todo o país. A guerra terminou em 9 de janeiro de 2005, depois que o Governo sudanês e os rebeldes assinaram um acordo de paz que marcou o final de um confronto no qual morreram 2 milhões de pessoas.
O acordo estipulava a criação de um Executivo de unidade formado pelo governista Partido do Congresso Nacional e pelo braço político do EPLS; a repartição dos recursos do país; a realização das eleições presidenciais e gerais em ambas as regiões e um referendo de autodeterminação no sul em 9 de janeiro de 2011.
Em 12 de fevereiro de 2010, o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, assegurou que a independência do sul parecia "inevitável", depois que "os esforços para a unidade" não tiveram êxito. Esta impressão foi confirmada pelo presidente do sul do Sudão, Salva Kiir, após ter sido reeleito em abril passado, quando insistiu que a unidade já não era mais do interesse de sua região.
Al-Bashir, defensor aguerrido da unidade, previu no dia 2 de dezembro que os habitantes do sul votarão pela independência, mas condicionou o reconhecimento dos resultados à transparência do processo. Apesar da ideia de autodeterminação ter ganhado força, a falta de acordo entre Cartum e Juba na organização do processo levou vários políticos do norte a propor atrasos na votação.
Além disso, foram crescendo as diferenças sobre a dívida, a repartição da água e do petróleo, a delimitação das fronteiras, a soberania da rica região petrolífera de Ebay, assim como as acusações sobre a presença de tropas de ambos os lados. Diante do aumento das tensões, tanto os Estados Unidos, como a União Europeia, a ONU e a União Africana pediram a realização "pacífica e pontual" do plebiscito e o respeito ao resultado, algo que, em princípio, foi garantido por 105 líderes do norte e do sul.
A missão de paz da ONU já começou a reforçar algumas áreas de conflito por conta do medo de que o eventual surgimento de um novo Estado africano seja acompanhado de novas explosões de violência.

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