Um relatório europeu que vinculou o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaci, a suspeitas de tráfico de órgãos e crime organizado poderia afetar o futuro reconhecimento da independência do território, anunciou uma fonte oficial nesta terça-feira.
O relatório do Conselho da Europa "terá um efeito (negativo) sobre o reconhecimento, em particular de parte daqueles cinco país da UE que ainda precisam reconhecer Kosovo", disse a jornalistas a vice-chanceler kosovar, Vlora Citaku.
O Kosovo proclamou unilateralmente sua independência da Sérvia em 2008. Até agora, foi reconhecido por 72 países, inclusive os Estados Unidos e 22 dos 27 países da União Europeia.
Citaku afirmou que em 2010 apenas oito países reconheceram Kosovo. Ela alertou que o documento elaborado pelo relator do Conselho, Dick Marty, teria "um impacto direto em atrasar a nossa candidatura" a integrar a entidade europeia de direitos humanos.
Em visita a Pristina, o vice-premier albanês Ilir Meta disse que seu país lançou uma campanha internacional "pela desconstrução de um relatório sem base e sem fatos".
No relatório, publicado dias depois das eleições-gerais no Kosovo, Marty denunciou o envolvimento de Thaci no tráfico de órgãos, acusando-o de ser um chefão do crime organizado.
Segundo o documento, Thaci teria dirigido uma facção do Exército de Libertação do Kosovo (UCK), que controlava centros de detenção secretos na Albânia, onde ocorreria o tráfico de órgãos, após a guerra de 1998-99 entre as guerrilhas kosovares e as forças sérvias.
Thaci negou as alegações e as denunciou como uma campanha suja contra o UCK e ele próprio.
Recentemente, alertou que aqueles "falsos patriotas" kosovares que cooperaram com Marty em sua investigação podem enfrentar consequências por seus atos.
"Estes nomes são conhecidos e serão divulgados muito rapidamente", disse Thaci, em uma entrevista no fim de semana com o canal de TV privado kosovar Klan.
A assembleia parlamentar do Conselho da Europa, radicado em Estrasburgo, deve adotar o relatório de Marty no fim de janeiro.
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