terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rússia expulsa diplomatas espanhóis do país em retaliação

A Rússia expulsou dois diplomatas espanhóis de Moscou, em uma retaliação pela expulsão, há sete semanas, de dois secretários da Embaixada da Rússia em Madri, na Espanha.
Segundo o jornal espanhol "El Pais", este é o incidente mais grave desde que os dois países retomaram relações diplomáticas, em 1977.
"O governo espanhol convidou dois diplomatas russos a se retirarem, há aproximadamente um mês, ambos acusados de realizar atividades incompatíveis com seus status", diz um comunicado do Ministério de Relações Exteriores espanhol. "Como é natural nestes casos, a Rússia agiu com reciprocidade, expulsando dois diplomatas espanhóis".
"Os dois governos consideram que este incidente está superado, e estão trabalhando para completar as delegações o mais rápido possível", conclui o texto.
Ignacio Cartagena, conselheiro político da Embaixada da Espanha em Moscou, e Borja Cortés-Bretón, primeiro-secretário, receberam a ordem de expulsão do Ministério de Relações Exteriores russo na semana passada, informa o jornal.
A expulsão teria sido uma escalada na crise da Rússia, já que Cartagena e Cortés-Bretón são de mais alto escalão que os dois russos expulsos. O Ministério de Relações Exteriores russo nega e diz que agiu em reciprocidade.
A medida foi retaliação à expulsão, no começo de novembro, de dois secretários russos da embaixada, acusados pelo Centro Nacional de Inteligência de "atividades incompatíveis com seu status" --o que normalmente representa espionagem. Segundo fontes consultadas pelo jornal, o CNI apresentou provas contundentes das atividades ilícitas.
Os dois governos têm se esforçado para conter a crise. Tanto o embaixador da Espanha em Moscou, Juan Antonio March, quanto seu homólogo russo em Madri, Alexandr Kuznetsov, não fizeram comentários públicos sobre o caso --que apenas agora aparece na imprensa.
Os dois países, lembra o "El Pais", já haviam passado por um episódio similar em 2007. Na época, o agente da CNI Roberto Flórez foi condenado por vender informações a espiões russos. Na semana passada, o Supremo Tribunal rebaixou de 12 a nove anos a pena imposta ao espanhol.
Já em 2002, segundo o livro de memórias publicado pelo ex-ministro de Defesa Federico Trillo, a Espanha expulsou dois funcionários da embaixada russa em Madri "surpreendidos em ações de espionagem". Em retaliação, Moscou expulsou um suboficial do Exército adido da embaixada espanhola.
O caso, segundo Trillo, "causou grande indignação tanto no Ministério de Relações Exteriores quanto no de Defesa".

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