terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rússia rejeita pressões dos EUA em caso de milionário da indústria petroleira

A Chancelaria da Rússia considerou "inaceitáveis" as críticas emitidas por governos ocidentais, que pedem mais transparência no julgamento do milionário russo Mikhail Khodorkovsky, condenado por roubar petróleo de sua própria empresa e fazer lavagem de dinheiro no valor de U$ 23,5 milhões.
Os EUA, assim como parte da imprensa russa, acreditam que a Justiça da Rússia esteja utilizando "critérios políticos" no julgamento, já que o milionário desafiou o atual premiê Vladimir Putin financiando candidatos de oposição.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o julgamento levantava "sérias questões sobre a parcialidade jurídica e o Estado de direito sendo colocado em segundo plano por considerações políticas".
Em resposta, a Chancelaria russa disse que as acusações de parcialidade na decisão eram "infundadas".
O chanceler da Alemanha, Guido Westerwelle, disse que a "maneira com que foi levado a cabo este processo é muito duvidosa e constitui um passo atrás no caminho da modernização do país".
Já o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou, em comunicado, que "a lei deve ser aplicada de forma proporcional e sem discriminação" e destacou que a Rússia precisa de "um sistema judicial devidamente independente do governo e de qualquer interferência exterior".
A diplomacia russa rejeitou as críticas. "Esperamos que cada um se ocupe de seus assuntos, em seu país e no cenário internacional", afirmou em comunicado.
O juiz Viktor Danilkin começou a ler a sentença de 800 páginas do milionário ainda na segunda. Cumprindo sentença de oito ano devem ser novamente condenados pela Justiça russa.
A imprensa local diz que o novo veredicto poderia ter sido "um presente" ao premiê do país, Vladimir Putin, o que prejudicaria a imagem da Rússia e os esforços de modernização e aproximação do Ocidente conduzidos pelo presidente Dmitri Medvedev.
150 ANOS
De acordo com a agência Efe, Putin teria dito, nos EUA, que Khodorkovsky seria condenado a 150 anos de prisão, tal como foi o investidor nova-iorquino Bernard Madoff, o que lhe valeu inúmeras críticas por exercer pressão sobre os tribunais.
"Os crimes cometidos por Khodorkovsky foram demonstrados nos tribunais. O ladrão deve estar na prisão. Khodorkovsky é acusado de roubo e desvio, (...) falamos de centenas de bilhões de rublos", declarou o premiê.
O premiê acusa Khodorkovsky de ter a consciência manchada de sangue, já que o chefe de segurança de sua petrolífera Yukos é acusado de vários assassinatos.

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